Embora haja muitos problemas ecológicos com que se preocupar no Brasil, o país ainda tem uma verdadeira cornucópia de vida selvagem; um tão verdadeiro, de fato, uma nova espécie de planta ou animal surge no país a cada dois dias. Literalmente. A nova espécie de hoje é um tipo de sapo «abóbora», que é altamente venenoso, tem ossos fluorescentes e usa sons de acasalamento que não consegue ouvir.
Nunes et al./PLOS ONE
Gizmodo relatou a descoberta de novas espécies de toadlet. Ivan Sergio Nunes Silva Filho, zoólogo da Universidade Estadual Paulista, liderou a equipe de pesquisadores que descreveu o novo tipo de sapo em estudo na revista PLOS ONE.
Aparentemente, essa nova espécie de sapo tinha, até agora, sido agrupada com outras espécies membros do gênero, Brachycephalus. Brachycephalus – ou “sapos-sela” – é um gênero de sapos coloridos endêmicos do sudeste do Brasil. (O braquicefalo, aliás, também contém um grupo de sapos parecidos com rãs acastanhados, aos quais os cientistas se referem como rãs-pulga ou sapos-pulga.)
Nunes et al./PLOS ONE
A nova espécie, Brachycephalus rotenbergae, é muito semelhante a outras espécies de toadlet de abóbora. Sua pele é, naturalmente, de uma cor laranja-abóbora brilhante e seus ossos fluorescem sob a luz ultravioleta. (Uma demonstração disso está no vídeo não relacionado do Science News de 2018 abaixo.) E, como muitos de seus colegas Brachycephalidae, este novo toadlet é tão venenoso, graças a fortes neurotoxinas em sua pele e órgãos, que os predadores nem se importam tentando comê-lo.
É uma boa coisa que os predadores não se importam com o Brachycephalus rotenbergae também, porque as chances são de que eles sabem exatamente onde os sapos estão. Rotenbergae, como outros sapos, tem um chamado audível de acasalamento e, embora outros animais possam ouvi-lo, ele não pode. Devido ao tamanho minúsculo dos sapos, os gritos agudos simplesmente não ressoam. Quanto a como os sapos realmente se encontram para acasalar, vamos prosseguir e especular que sua coloração ridiculamente brilhante ajuda. Ele meio que grita “Estou aqui para fazer, mas não me coma porque eu vou te matar”, certo?
Imagem de destaque: Nunes et al./PLOS ONE